Esta publicação inaugura a série “China e a corrida global pela IA”, desenvolvida pela Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB). A cada semana, novos artigos assinados por diferentes especialistas e professores da instituição discutem os desdobramentos mais recentes da inteligência artificial, suas implicações globais e o papel desempenhado pelo gigante asiático nessa transformação tecnológica sem precedentes.
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Os alicerces da globalização estão passando por uma reestruturação profunda. Para além da liberalização do comércio e dos fluxos de capital, as tecnologias inteligentes estão redefinindo como as nações criam, trocam e capturam valor. Entre elas, a inteligência artificial (IA) ocupa lugar central, impulsionando um novo modelo de inovação e competição transfronteiriça, à medida que se incorpora cada vez mais a hardwares, softwares e serviços.
A IA generativa já está sendo usada para otimizar design, automatizar a logística e aprimorar a experiência do consumidor em escala global. Grandes plataformas multinacionais de tecnologia empregam algoritmos avançados para adaptar serviços a diferentes mercados, respondendo de forma ágil às demandas locais em constante transformação.
A China vem se consolidando como uma força estratégica nesse cenário. Seu papel não se limita à adoção de IA: o país exporta suas capacidades de inteligência artificial ao integrá-las em cadeias de fornecimento, infraestrutura digital e ecossistemas comerciais em várias regiões.
“A IA deixou de ser apenas um setor – ela é a arquitetura de uma nova economia global”, afirma Li Haitao, reitor e professor catedrático de finanças da Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB). “E o papel da China nessa transição é cada vez mais estratégico.”
De exportadora a inovadora
O caminho da globalização da China passou por diversas fases: começou como uma fabricante de baixo custo, evoluiu para investidora global e exportadora de tecnologia e ideias, e agora entra em uma nova etapa – a da globalização liderada pela IA.
Empresas de ponta – incluindo as grandes companhias de tecnologia já estabelecidas e uma nova geração de startups de rápido crescimento, muitas vezes chamadas de “Seis Tigres da IA” – estão integrando ferramentas e tecnologias de inteligência artificial em setores que vão de veículos elétricos e manufatura inteligente ao comércio eletrônico e fintechs.
Diferentemente de períodos anteriores, marcados sobretudo pela transferência de tecnologia de fora para dentro, essas empresas agora aproveitam a IA para construir sistemas competitivos em nível global e exportá-los.
Companhias como a BYD e a CATL estão incorporando IA a veículos elétricos e sistemas de bateria, o que tem impulsionado sua expansão para Europa, Sudeste Asiático e América Latina. Já a Shein e o TikTok, da ByteDance, aplicam aprendizado de máquina para personalizar conteúdos globais e gerenciar cadeias de fornecimento responsivas. Essa evolução revela que a China está desenvolvendo sua própria abordagem, baseada em escala, dados e agilidade.
“A IA deixou de ser apenas um setor — ela é a arquitetura de uma nova economia global”
Li Haitao, reitor e professor catedrático de finanças, CKGSB
