Há um limite para o que se aprende sobre a China à distância.
Não é falta de informação. Pelo contrário: nunca houve tanto conteúdo disponível sobre o mercado asiático – relatórios, podcasts, artigos, painéis em conferências. O executivo brasileiro que acompanha o tema com atenção já sabe que a China lidera o ranking global de patentes em inteligência artificial, que sua economia digital responde por mais de 40% do PIB nacional, que WeChat e Alipay reinventaram o que significa uma plataforma de serviços. Esse executivo lê, assimila, discute.
E ainda assim, quando finalmente vai à China, a experiência o surpreende.
Ver esses sistemas funcionando em escala real, dentro de uma lógica cultural e econômica própria, muda o nível de pergunta que você consegue fazer. E são as perguntas certas que abrem as melhores oportunidades estratégicas.
O que a China construiu? E o que isso tem a ver com o seu negócio?
Nos últimos anos, a China realizou algo que poucos países conseguiram: transformar escala em laboratório. Com mais de 1,4 bilhão de pessoas conectadas a plataformas digitais integradas, ela testou em tempo real modelos de negócio que o Ocidente ainda está teorizando.
Veja o caso dos super apps. Enquanto empresas ocidentais constroem aplicativos especializados e tentam criar integrações depois, a China construiu ecossistemas primeiro. O WeChat, com mais de 1,4 bilhão de usuários ativos mensais, não é apenas um mensageiro, é uma infraestrutura de vida: pagamentos, serviços públicos, e-commerce, saúde, entretenimento, tudo dentro de um único ambiente. Dois terços dos consumidores chineses pagam por produtos e serviços escaneando QR codes dentro desses super apps. WeChat Pay e Alipay juntos controlam mais de 90% do mercado de pagamentos móveis do país.
Para um executivo de varejo, de saúde, de serviços financeiros ou de qualquer setor que depende de engajamento digital, isso não é uma curiosidade tecnológica. É um modelo de receita, de lealdade e de captura de dados que já está sendo replicado no Sudeste Asiático e observado com atenção em mercados emergentes ao redor do mundo. Incluindo o Brasil.
No campo da inteligência artificial, os números são igualmente expressivos. A China concentra aproximadamente 70% das patentes globais de IA, com mais de 5.100 empresas atuando no setor e 71 unicórnios de IA – cerca de 26% do total mundial. Seu mercado de IA foi avaliado em mais de US$ 103 bilhões em 2024, com projeção de superar US$ 138 bilhões em 2025. Mais do que volume, o que chama atenção é a velocidade de aplicação: IA não está sendo discutida em laboratórios, está sendo implementada em fábricas, cidades, hospitais e plataformas de consumo em ritmo acelerado.
Tudo isso dentro de uma economia que cresceu 5% em 2024 e cuja infraestrutura digital acumulou 41 zettabytes de dados, com crescimento anual de 25%.
Repertório, não receita
É preciso deixar uma coisa clara: não se trata de copiar o modelo chinês. O Brasil tem sua própria complexidade regulatória, seu próprio perfil de consumidor, suas próprias forças competitivas. O líder de uma empresa relevante aqui já sabe navegar em mercados difíceis – e essa habilidade é genuína.
O que está em jogo é outra coisa. É o que acontece quando um líder com visão estratégica sólida se expõe a modelos que ele ainda não viu funcionando em escala. Novas referências ampliam o espaço do possível. Não como receita a seguir, mas como combustível para perguntas melhores: O que aconteceria se eu construísse minha plataforma com essa lógica? Como esse modelo de monetização se traduz para o meu setor? Que parceiro asiático faria sentido para a minha expansão?
É exatamente esse tipo de insight que não vem de relatório. Vem de estar lá.
Cinco dias que mudam o frame
O Asia Start, programa da Cheung Kong Graduate School of Business (CKGSB), foi desenhado para isso. Em cinco dias imersivos, líderes empresariais, fundadores e investidores percorrem Xangai, Hangzhou e Shenzhen – três dos principais hubs de inovação tecnológica da China – , com acesso direto a empresas como Alibaba, Meituan, Xpeng e Unitree Robotics, além de professores da CKGSB com trajetória acadêmica e prática no mercado.
A CKGSB tem uma história relevante nessa interseção entre conhecimento e impacto: seus programas já formaram mais de 22.000 fundadores e executivos, e sua rede de alumni está associada ao surgimento de mais de 151 unicórnios globais, incluindo os fundadores do TikTok e do Temu.
O programa não é um tour de negócios. É uma jornada de aprendizado estruturada: aulas com professores de alto nível, visitas a bastidores de empresas que estão na fronteira da transformação digital, e trocas com um grupo global de executivos que trazem perspectivas distintas para as mesmas questões estratégicas.
A próxima edição do Asia Start – AI + Digital China Expedition – acontece de 17 a 21 de novembro de 2025, com foco em IA, transformação digital e os modelos econômicos que estão redefinindo o mercado asiático.
Para quem já acompanha a Ásia com atenção, esta é a diferença entre entender o mercado e sentir como ele funciona.
- Economia digital da China (43% do PIB) — CAICT / Statista: Market size of the digital economy in China (2005–2023). Disponível em: statista.com/statistics/1250080/china-digital-economy-size
- Núcleo da economia digital: 10,5% do PIB em 2024 — National Bureau of Statistics of China: Value Added of China's Core Industries of the Digital Economy Takes up 10.5% of GDP in 2024 (dez. 2025). Disponível em: stats.gov.cn/english/PressRelease/202512/t20251231_1962222.html
- Crescimento de 25% ao ano em dados; 41 zettabytes — National Data Administration of China: Digital China Development Report 2024. Referenciado em: nda.gov.cn
- China lidera patentes globais de IA (~70% do total mundial) — Stanford HAI: The 2025 AI Index Report. Disponível em: hai.stanford.edu/ai-index/2025-ai-index-report / Arapacke Law Group: AI Patents by Country (2024). Disponível em: arapackelaw.com/patents/ai-patents-by-country
- 5.100 empresas de IA; 71 unicórnios de IA (26% do total global) — CAICT / Economy Middle East: China accelerates AI expansion with 71 unicorns and 5,100 AI companies (2025). Disponível em: economymiddleeast.com
- Mercado de IA da China: US$103 bi em 2024, projeção de US$138 bi em 2025 — Chelidze Group: Artificial Intelligence Market in China in 2025. Disponível em: chelidze.group/en/post/ai-china-2025